Aplicações reais do RPG na educação – Caso 1

Caso 1: “Aprendizes de RPG”

Torre de Condensação. Ilustração por Kendy Otak.

Torre de Condensação. Ilustração por Kendy Otak.

Fonte original Folha de Sao Paulo: Aprendizes de RPG

O objetivo desta seção de casos e Aplicações Reais do RPG na educação é servir como exemplo e referência de tudo aquilo considerado uma conversa séria sobre as potencialidades do RPG, a teoria aplicada na escola e em outros contextos.

O dia 24 de Junho de 2003 foi publicado no jornal a Folha de São Paulo o artigo intitulado Aprendizes de RPG. Reinaldo José Lopes, jornalista, liderou entrevistas a professores e alguns editores:

  1. Rosangela Basilli Beraldo Mendes, professora de ensino fundamental da Escola Municipal D. Pedro 1º-SP
  2. Gilsmy Malaquias Boscolo, professor de educação física, da Escola Estadual Dr. Elias Massud, em Monte Mor (região de Campinas-SP)
  3. Marcos Tanaka Riyis, Jogo de Aprender, Sorocaba-SP

Segundo a reportagem, “o enfoque educativo do RPG tem se concentrado no ensino de história”. Existem jogos que abordam as Cruzadas, o quilombo dos Palmares e os bandeirantes, dentre outros temas históricos, “mas, para seus defensores, a tática é interdisciplinar por natureza.” Confira o relato da professora Rosangela Mendes:

Os alunos da quarta série de Rosangela Mendes, na Escola Municipal D. Pedro 1º, em São Paulo, misturaram ambiente e matemática ao interpretarem arqueiros élficos (inspirados nos elfos de “O Senhor dos Anéis”) que tentam proteger a Amazônia. “Eles tinham de encontrar 12 flechas mágicas, que eram a tabuada”, conta a professora. Cada aluno cria seu personagem desde o começo do ano e acompanha sua evolução atualizando sua ficha de personagem no caderno, o que ajuda a burilar também o português, segundo ela. “Eu tinha uns 15 alunos que não liam e não escreviam direito”, conta Mendes. “O jogo mudou isso. Os pais às vezes não entendem o que é aquilo, mas sabem que o filho está fazendo a lição de casa e está lendo.”

O professor Gilsmy Boscolo afirmou que “o interesse pela escrita e pela leitura aumentou diretamente por causa do jogo”. Da mesma maneira, Marcos Tanaka, na época coordenador pedagógico da Jogo de Aprender, empresa que aplica o estilo Live Action nas escolas particulares e públicas confirma que após os jogos, em questionários aplicados a todos os participantes, pelo menos um 50% das perguntas sobre o tema do Live Action foram respondidas corretamente, contra 67% daqueles alunos que não pariticiparam nos jogos.

Segundo o educador e escritor Carlos Klimmick, criador do “Desafio dos Bandeirantes”, o primeiro RPG com temática brasileira, o RPG é uma forma de narrativa e vai além de um simples titulo. Na época, Glismy e sua equipe trabalhavam num projeto que tinha como tema Líbero Badaró [jornalista e ativista político cujo assassinato ajudou a derrubar D. Pedro 1º], “pouca gente sabe, mas ele veio ao Brasil para estudar ervas medicinais. A idéia é que ele teria achado uma cura para a varíola, que ficou perdida e é redescoberta pelos jogadores nos dias de hoje.”, diz.

Reinaldo Lópes finaliza o artigo lembrando que “de uma tacada só, seria possível trabalhar história do Brasil, biologia e até geopolítica”, isto segundo o plot da historia em processo da Jogo de Aprender.

Links complementares:
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About the Author

Nicolas Franz. Apaixonado pelo RPG e pelo design gráfico alimento a curiosidade pelo RPG educacional e a teoria transdisciplinar para dar continuidade à pesquisa que iniciei na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC): "RPG no paradigma 2.0, vislumbrando a interação disciplinar".